O que é a Páscoa? Conheça o significado e os pratos típicos da data
Para os cristãos,
a Páscoa marca a ressurreição de Jesus Cristo três dias após sua crucificação
(*) Gabriela Piva
Pratos da ceia de
Páscoa variam nas várias regiões do Brasil
• Capuski/ iStock / Getty Images Plus
A Páscoa no Brasil é uma data marcada
por significados profundos, celebrações religiosas e tradições que unem
famílias e amigos. Seja pelo aspecto espiritual ou pelas delícias típicas da
data, como os ovos de chocolate, a Páscoa é um momento de renovação,
solidariedade e união. Mas, afinal, qual o significado dessa data?
A palavra "Páscoa" vem do
hebraico Pessach, que significa "passagem". No Judaísmo, essa
passagem representa a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Já para
os cristãos, a Páscoa simboliza a ressurreição de Jesus Cristo, três dias após
sua crucificação, sendo o momento mais importante do calendário cristão.
Ou seja, mesmo com origens diferentes,
o sentido central da Páscoa em ambas as tradições está ligado à renovação,
libertação e esperança.
O
que é a Semana Santa?
A Semana Santa antecede o Domingo de
Páscoa e é um período de grande significado para os cristãos. Começa no Domingo
de Ramos, que relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, e segue com momentos
marcantes como a Última Ceia (na Quinta-feira Santa), a crucificação (na
Sexta-feira da Paixão) e a ressurreição (no Domingo de Páscoa).
Durante essa semana, muitos fiéis
participam de missas, procissões e encenações da Paixão de Cristo. É um período
de reflexão, fé e recolhimento espiritual.
Quais
são os alimentos mais consumidos na Páscoa?
A Quaresma é um período de 40 dias que
antecede a Páscoa, começando na Quarta-feira de Cinzas e terminando no Domingo
de Ramos (que dá início à Semana Santa). É um tempo de reflexão, penitência,
jejum e preparação espiritual para os cristãos, especialmente os católicos, e
impacta diretamente o setor de alimentos.
O número 40 tem um forte simbolismo na
Bíblia — representa o tempo que Jesus passou no deserto em jejum e oração,
enfrentando tentações antes de iniciar sua vida pública.
O
que se come na Quaresma?
Durante a Quaresma, muitos fiéis
adotam práticas alimentares mais simples e restritas, como forma de sacrifício
simbólico. Vamos entender melhor:
❌ Alimentos que Devem Ser Evitados
• Carne
vermelha: especialmente às sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-feira Santa, os
católicos são incentivados a não consumir carne vermelha ou carne de animais de
sangue quente.
• Excessos
alimentares: além da carne, também se recomenda evitar exageros, refeições
luxuosas ou supérfluas, como parte do jejum e da moderação.
✅ Alimentos Permitidos (e Comuns Durante a
Quaresma)
• Peixes:
como não são considerados "carne" segundo a tradição religiosa, os
peixes são uma escolha comum, principalmente o bacalhau.
• Frutas,
legumes e verduras: alimentos naturais e simples são preferidos durante esse
período.
• Ovos
e laticínios: em geral, são permitidos — mas algumas pessoas optam por
evitá-los em práticas mais rigorosas de jejum.
• Grãos
e cereais: arroz, feijão, lentilhas, grão-de-bico e afins são muito usados em
substituição às carnes.
O que se come nas diferentes regiões
do Brasil?
Especialistas ouvidos pelo CNN Money
afirmaram que ovos de chocolate, bacalhau, salmão, azeite de oliva, azeitonas,
vinhos e batata estão entre os alimentos mais consumidos no período da Páscoa.
Mas quais são os pratos típicos nas diferentes regiões do Brasil?
Sul
Marcado pela influência de
descendentes e imigrantes ucranianos, o Paraná se destaca pela tradicional
Paska, um pão artesanal preparado em família aos domingos.
Já no Rio Grande do Sul, é servida a
Cuca, um doce alemão tradicionalmente feito em três camadas: a primeira, uma
massa; a segunda, com frutas da estação; e a terceira, com farofa crocante.
Sudeste
A data movimenta a economia do sudeste
com os famosos ovos de chocolate, que ficaram 9,5% mais caros em 2025, segundo
a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Além do doce, cada estado da região
costuma ter um prato típico específico. No caso de São Paulo, a população
consome muito a bacalhoada. Já a moqueca capixaba é uma tradição das ceias no
Espírito Santo.
No estado do Rio de Janeiro, a canjica
de milho branco é uma das sobremesas tradicionais que costumam aparecer nas
mesas durante a Semana Santa e o Domingo de Páscoa, especialmente em famílias
que mantêm vivas as tradições regionais e afro-brasileiras. Uma curiosidade
interessante é que essa receita carrega fortes influências da cultura africana
e das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
Na tradição afro-brasileira, a canjica
branca sem temperos (sem açúcar, canela ou coco) é frequentemente utilizada
como oferenda para Oxalá, considerado o orixá da criação, da paz e da
espiritualidade. No sincretismo religioso — bastante presente no Brasil —,
Oxalá é associado a Jesus Cristo, especialmente na figura do Cristo sofredor e
compassivo.
Centro-Oeste
Na culinária do Centro-Oeste, pratos
como a sopa paraguaia, um bolo salgado, as chipas, parecidas com pães de
queijo, e peixes de água doce complementam a refeição pascal.
Outra receita bastante consumida nesta
época é o tradicional pacu assado. Durante a temporada especial CNN Viagem
& Gastronomia: Sabores do Brasil, a jornalista Daniela Filomeno provou o
prato da chef Magda Moraes, do Aipim Restaurante.
Na ocasião, Magda preparou um pacu
assado na folha da bananeira, recheado com farofa de banana da terra. Como
acompanhamento, arroz de guariroba e pirão.
"A cozinha pantaneira é uma
pluralidade. É uma maneira de experimentarmos a vivência das pessoas do
Pantanal, sendo o retrato do homem pantaneiro", disse a chef sobre a
culinária da região.
Norte
Na região Norte, a Páscoa ganha um
toque amazônico, com pratos típicos que substituem o bacalhau por ingredientes
locais.
O tambaqui e o pirarucu são os
protagonistas da ceia pascal, acompanhados de preparos à base de tucupi e
jambu. Além disso, comunidades indígenas incorporam rituais próprios e
ancestrais à celebração.
Nordeste
O Nordeste é palco de algumas das mais
grandiosas encenações da Paixão de Cristo no Brasil. Na gastronomia, o quibebe,
um tipo de purê de abóbora, é um prato consumido na Sexta-feira Santa em muitos
estados.
Mas não acaba por aí: o arroz de coco,
cozido com leite, é prato obrigatório nas ceias da região e, principalmente, na
Bahia. O feijão de coco, servido com caldo grosso, também é destaque na
gastronomia pascoal do Nordeste.
Mesmo assim, o peixe continua nos
holofotes da região, destacando a moqueca feita com azeite de dendê, posta de
tilápia, cebola roxa picada e pimenta-de-cheiro, segundo o Ministério do
Turismo.
Definitivamente, a Páscoa é mais do
que chocolate e feriado. É uma celebração com raízes profundas na história da
humanidade, que fala sobre fé, libertação, renascimento e união. No Brasil, ela
é vivida de forma única, misturando religiosidade, tradição e aquele toque
acolhedor da nossa cultura.
Como
harmonizar vinhos com pratos típicos da Páscoa?
O vinho também é um produto muito
procurado durante a Páscoa. Como as receitas costumam ser feitas à base de
peixes e frutos do mar — além dos doces —, é necessário tomar cuidado na hora
da harmonização dos rótulos.
O colunista Stêvao Limana indica
harmonizar o bacalhau, um dos pratos mais típicos nas mesas da Páscoa, com um
vinho bastante ácido para contrapor com a gordura. Boas opções são espumantes
com baixo teor de açúcar, chamados de Blanc de Noir.

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