Ladrões usam bloqueador de sinal para impedir travamento de carros; saiba como evitar
Golpistas bloqueiam sinal da
chave para roubar carros. Reprodução.
Dispositivo conhecido como
“Chapolin” impede o travamento das portas por controle remoto e pode facilitar
furtos; veja como se proteger
O roubo e o furto de veículos
continuam sendo um dos desafios da segurança pública no Brasil. Para driblar os
sistemas de proteção dos carros modernos, criminosos têm recorrido a diferentes
estratégias, entre elas o uso de dispositivos que interferem na comunicação
entre a chave e o veículo.
Conhecido popularmente
como “Chapolin”, o equipamento pode impedir que o comando de
travamento enviado pelo motorista chegue ao carro. O golpe é silencioso e pode
passar despercebido, principalmente quando o proprietário não confere se as
portas realmente foram fechadas.
Segundo levantamento do Estadão,
com base em dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), a cidade de São
Paulo registrou, em 2025, uma média de 138 ocorrências de roubo e furto
de veículos por dia. Somente entre janeiro e agosto, foram 22.228
automóveis e 11.201 motocicletas levados na capital paulista.
Como funciona o “Chapolin”?
O inibidor de sinal é um
equipamento eletrônico capaz de gerar interferência em radiofrequências
utilizadas por sistemas de controle remoto de veículos.
Quando o motorista aperta o
botão da chave para trancar o carro, o comando é transmitido por ondas de rádio
até o sistema eletrônico do automóvel. Se houver um bloqueador de sinal nas
proximidades, a comunicação pode ser interrompida.
Na prática, o proprietário pode
acreditar que o veículo foi trancado e seguir seu caminho, enquanto as portas
permanecem destravadas. A partir daí, criminosos podem acessar o interior do
carro para furtar objetos ou, dependendo das características e dos sistemas de
segurança do veículo, tentar levá-lo.
O equipamento não
funciona como uma chave capaz de destrancar um carro que já esteja devidamente
fechado. Seu objetivo é impedir a comunicação necessária para o travamento
por controle remoto.
Venda e uso são restritos
Os bloqueadores de
radiofrequência são equipamentos de uso restrito e sua utilização não é
autorizada indiscriminadamente para cidadãos ou empresas privadas.
A Agência Nacional de
Telecomunicações
(Anatel) estabelece regras para
equipamentos que interferem nas radiofrequências. Dispositivos desse tipo podem
ter aplicações específicas em atividades de segurança e defesa, mas seu uso
irregular pode causar interferências em sistemas de comunicação.
Mesmo com as restrições,
aparelhos conhecidos como “Chapolin” podem ser encontrados no mercado
clandestino e acabam utilizados por criminosos em golpes contra motoristas.
Como evitar cair no golpe
A principal forma de prevenção
é não confiar apenas no sinal sonoro ou visual do controle remoto.
Depois de acionar o travamento, o motorista deve confirmar que o veículo
realmente foi fechado.
Confira algumas medidas simples:
·
Teste a maçaneta: depois de acionar o controle, puxe a maçaneta para verificar se a
porta está travada.
·
Observe os sinais do veículo: confira se as luzes de seta piscaram e
se houve o sinal sonoro característico de travamento, quando o modelo possui
esses recursos.
·
Desconfie de falhas: se o carro não responder ao comando de travamento como normalmente
acontece, não ignore a situação.
·
Mude de local: diante de uma suspeita de interferência, procure outra vaga,
preferencialmente em estacionamento monitorado ou local movimentado.
·
Não deixe objetos à vista: bolsas, celulares, notebooks e outros
pertences podem chamar a atenção mesmo quando o carro está devidamente travado.
·
Confira novamente: antes de se afastar do veículo, certifique-se de que portas e
porta-malas estão efetivamente fechados.
Atenção antes de se afastar
O golpe se aproveita
principalmente da confiança e da rotina do motorista. Por isso, uma verificação
de poucos segundos pode fazer diferença.
A regra é simples: apertou o
botão para trancar o carro, confira fisicamente a porta antes de ir embora.
Esse hábito reduz o risco de o motorista descobrir somente depois que o
veículo, na verdade, permaneceu aberto.

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