Caio Bonfim conquista medalha de bronze em mundial
Atleta de Sobradinho faz prova com autoridade, mantendo-se sempre no pelotão, e é recompensado com a terceira colocação individual da meia-maratona do Mundial por equipes na Esplanada dos Ministérios
Prova de Caio Bonfim reunia
medalhistas olímpicos e mundiais, além recordistas - (crédito: Ed Alves/CB/D.A.
Press)
Parecia o
Estádio Augustinho Lima em dia de jogo do Sobradinho pelo Candangão, mas era a
Esplanada dos Ministérios na manhã deste domingo (12/4). O motivo? Empurrar
Caio Bonfim na meia-maratona do Mundial de Marcha Atlética por equipes. Público
em peso, bateria marcando o ritmo e olhos fixos no evento para testemunhar o
principal marchador do Brasil, Caio Bonfim, medalhista de bronze individual da
primeira competição desse porte no Distrito Federal.
Caio Bonfim
pisou no asfalto da Esplanada como medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de
Paris-2024 e campeão mundial em 2025. Colocá-lo entre os candidatos ao pódio
era natural. Aos 35 anos, sustenta-se na regularidade, na experiência e na
capacidade de crescer ao longo de provas desse nível. Competir em casa, em um
evento internacional, era a cereja do bolo. Ele concluiu o percurso em
1h27min36s. O ouro ficou com o italiano Fortunato (1h27min25s), seguido do
etíope Misgana Wakuma (1h27min33s).
O Japão
levou o título por equipes pelos resultados de três atletas, somando 20 pontos.
Espanha e China conquistaram prata e bronze, respectivamente, com 39 e 51. No
Mundial por equipes, compõem a nota os resultados dos três melhores atletas de
cada país. Por exemplo, 1º, 2º e 3º somam seis pontos.
Ao fim da
prova, Caio desabou no chão, com sinais de desgaste. Com pouco mais de 1h de
percurso, botou a mão na coxa, como se apresentasse desconforto. Na largada, ao
se levantar, foi ovacionado pelo público na Esplanada dos Ministérios.
Nesta
temporada, o marchador de Sobradinho tem como melhor marca 1h21min44s,
registrada na meia-maratona de Kobe, no Japão — prova em que o anfitrião
Toshikazu Yamanishi estabeleceu o recorde mundial, com 1h20min34s. O brasileiro
também foi prata em Taicang, com 1h23min.
Uma das
maiores ameaças ao brasileiro era justamente Yamanishi, recordista mundial,
bicampeão dos 20km e bronze olímpico em Tóquio-2020. No radar também estavam os
espanhóis Paul McGrath e Diego García Carrera.
Apesar do
nível elevado, Caio fez uma prova estrategicamente madura. Largou forte,
manteve-se no primeiro pelotão e controlou o ritmo. Por volta dos 35 minutos, o
desgaste já aparecia em alguns atletas, mas o brasiliense seguia firme, lado a
lado com Yamanishi.
Caio Bonfim impôs ritmo alto
desde o início e não se distanciou do primeiro pelotão(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
Na marca
dos 9km, liderava com 38min09s. No quilômetro 11, Caio baixou um pouco o ritmo
e caiu para oitavo, mas ainda com curta distância para o líder Yamishi. A
grande diferença foi o crescimento de outros japoneses, como Kento Yoshikawa e
Tomohiro Noda, que fechavam o pódio provisório.
A presença
do trio japonês chamava a atenção: quatro dos 10 melhores do ranking mundial
dos 20km são japoneses, reflexo de uma escola consolidada, competitiva e
favorita ao título coletivo, que não vinha desde 2018.
Caio competiu em casa diante de
cartões postais, como a Catedral Metropolitana(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
Com quase
57 minutos de prova, o equatoriano Saul Wamputrisk acelerou e chegou a assumir
a ponta. Porém, embalado pelo grito da torcida, Caio não deixou o sul-americano
se desgarrar e reivindicou a ponta no quilômetro 14.
Com 1h01min
de prova, Caio assustou os torcedores. Levou a mão na coxa direita, podendo
indicar uma lesão. Mesmo assim, manteve-se firme e foi até o fim. A quatro
voltas do fim, o pelotão ficou reduzido a 10 competidores, com o brasiliense
alternando entre passadas firmes e dosagem de energia. Não ter sido punido no
início e meio da prova permitiu Caio "relaxar" um pouco até receber
duas punições. Porém, na reta final, o cansaço pesou, perdeu posições para o
etíope e o italiano, fechando em terceiro.
Além de
Caio Bonfim, o Brasil marchou com três atletas: Matheus Corrêa, Max Batista
Gonçalves, Lucas Mazzo e João Paulo Nobre.
As provas
do Mundial integram a reformulação da marcha atlética neste ciclo olímpico rumo
a Los Angeles-2028. As tradicionais distâncias de 20km e 35km dão lugar a
percursos alinhados ao formato de rua — meia-maratona (21,1km) e maratona
(42,195km) —, em uma tentativa de modernizar e tornar a modalidade mais
atrativa. Entre Los Angeles-1932 e Tóquio-2020, a distância mais longa foi de
50km.
Nem só de
Caio vive a marcha atlética brasileira. Antes da prova masculina, o país já
havia garantido o bronze por equipes na maratona feminina, com os desempenhos
de Viviane Lyra (5ª, 3h34min53s), Gabriela Muniz (8ª, 3h46min07s) e Mayara
Vicentainer (9ª, 3h47min09s). No individual, o ouro ficou com Paula Torres
(3h24min37s), seguida pela italiana Sofia Fiorini (3h25min42s) e pela
equatoriana Nathaly León (3h31min47s).
O Mundial
de Marcha Atlética por equipes reúne disputas em diferentes distâncias. O
programa inclui maratonas (42,195km), meias-maratonas (21,1km) e provas de 10km
para atletas sub-20.
Os
melhores da meia-maratona masculina (21,km)
1º
Francesco Fortunato 1h27min25s (Itália)
2º Misgana Wakuma 1h27min33s (Etiópia)
3º Caio
Bonfim 1h27min36s
4º Leo Kopp
1h27min50s (Alemanha)
5º Kento Yoshikawa 1h28min00s (Japão)
6º Jordy Arrobo 1h28min00s (Equador)
7º Yoshikazu Yamanishi 1h28min18s (Japão)
8º Tomohiro Noda 1h28min42s (Japão)
9º Diego García 1h28min55s (Espanha)
10º Álvaro Lopes 1h28min0s (Espanha)
26º Max
Batista 1h31min51s



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