Frutas vermelhas abrem espaço no Cerrado e são tema de evento do Sebrae

 Frutas vermelhas abrem espaço no Cerrado e são tema de evento do Sebrae

Com apoio da Rota das Frutas, número de produtores de mirtilo cresce no DF e foi tema de debate no Berry Day, evento inserido no Alimenta Sebrae, que segue até sábado no Pavilhão do Parque da Cidade 

Rodrigo Naves cultiva mirtilo em Sobradinho com irrigação, podas e nutrição das plantas - (crédito: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press.)

O produtor Rodrigo Naves, 49 anos, cultiva mirtilo há mais de um ano em seu terreno de 10 mil m² na Rota do Cavalo, em Sobradinho. Com a marca Berry Land, ele já colheu mais de 6 toneladas da fruta no primeiro ano de produção. A motivação, conta, veio ao perceber uma grande oportunidade: o crescimento do consumo gastronômico do mirtilo no DF.

No espaço, Rodrigo mantém 10 mil arbustos da planta. Segundo ele, a produção exige cuidados técnicos minuciosos. "Para produzir comercialmente, com frutos de qualidade, o manejo diário é muito importante, com irrigação, podas e nutrição das plantas", afirma.

A variedade cultivada por Rodrigo, adaptada ao clima do Cerrado, é a Emerald. As mudas são distribuídas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) por meio da Rota das Frutas, que entrega mudas a produtores rurais do DF para estimular o cultivo na região.

A Rota das Frutas Ride-DF é um programa coordenado pela Codevasf em parceria com instituições de pesquisa, extensão, órgãos públicos e o setor privado. O objetivo é integrar tecnologias, capacitação, estruturação da oferta e acesso a mercados. Desde 2022, o programa distribuiu cerca de 85 mil mudas de mirtilo, que beneficiaram aproximadamente 34 produtores.

Aposentada, Dilza Norberto, 69 anos, também apostou nas frutas vermelhas. Ela comprou uma chácara em Brazlândia, em 2021, depois da pandemia, e começou com 840 pés de pitaia de polpa branca, vermelha e amarela. Os mirtilos chegaram em 2024, com 2 mil pés, e mais 2 mil no ano seguinte. Neste ano, ela plantou amoras e outros 4 mil pés de mirtilo. "Gosto de trabalhar, gosto do campo", comenta.

Em 2025, Dilza colheu 500kg de mirtilo. A safra deste ano deve superar um pouco essa marca, e a previsão para 2027 é chegar a uma tonelada. A produtora vende em feiras e diretamente a clientes que a procuram pelo WhatsApp e pelo Instagram. Os supermercados ainda são uma fatia pequena das vendas. Para Dilza, o desafio é a comercialização. "Produzir frutas vermelhas é tranquilo. Vender os mirtilos é mais difícil por causa dos importados, mas estamos trabalhando nossos espaços", conta.

Rodrigo Naves cultiva mirtilo em Sobradinho com irrigação, podas e nutrição das plantas(foto: Pedro Paulo Cardoso CB/DA Press.)

De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), o Distrito Federal tem hoje 36 produtores de mirtilo, com produção de 88 toneladas em 2026. Considerando também os municípios do Entorno, a Rota das Frutas estima que a região produza cerca de 130 toneladas por ano, volume que deve crescer, já que muitos cultivos ainda são recentes e ainda não atingiram a capacidade plena.

Segundo o coordenador de Operações da Emater-DF, Rafael Ventorim, o morango ainda é o carro-chefe das frutas vermelhas no DF, mas há potencial de aumento na produção de todas elas. Ele destaca que existe demanda não só pela fruta in natura, mas também por derivados, como sorvetes, geleias e doces, o que dá a essas culturas grande potencial para a agroindústria local.

O investimento inicial é alto, mas o retorno começa cedo. De acordo com a Rota, um módulo de 2 mil plantas da variedade Emerald, em cerca de 0,2 hectare, custa em torno de R$ 70 mil, incluindo vasos, substratos e irrigação. Produtores associados a uma cooperativa do programa recebem as mudas gratuitamente. Com o quilo vendido entre R$ 45 e R$ 50, o faturamento bruto chega a cerca de R$ 80 mil no primeiro ano e a aproximadamente R$ 220 mil no terceiro.

Segundo Luiz Curado, coordenador da Rota das Frutas RIDE-DF, o principal objetivo do programa não é apenas ampliar a área plantada ou o volume produzido, mas "consolidar uma cadeia produtiva sustentável e competitiva, com produtores capacitados, elevada produtividade, qualidade padronizada, organização da oferta e acesso a mercados cada vez mais exigentes", pontua.

Uma das vantagens do Cerrado, explica Luiz, é a possibilidade de colher mirtilo durante boa parte do ano, inclusive em períodos de menor oferta de outras regiões produtoras.

"Nosso desafio agora é transformar essa vantagem produtiva em uma vantagem comercial efetiva, organizando os calendários de produção, os volumes ofertados e os padrões de qualidade exigidos pelos compradores", diz. Entre as propostas da Rota está a criação de uma central integrada de comercialização, com marca coletiva regional, para padronizar a produção e negociar volumes maiores com grandes redes e compradores internacionais.

Com esse foco na comercialização, a Rota das Frutas promoveu, ontem, a 3ª edição do Berry Day, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, dentro do Alimenta Sebrae. Produtores e especialistas se reuniram para trocar saberes sobre o cultivo de frutas vermelhas no DF e discutir certificação, acesso ao mercado europeu, agregação de valor e técnicas de produção.

O interesse internacional apareceu no evento: a portuguesa BFruit, que quer conhecer a produção da RIDE-DF como possível fornecedora para a Europa, participou dos painéis. A Rota reconhece que a região ainda não tem escala para abastecer regularmente o mercado externo, mas aposta na entrada de novos produtores e investidores. "Nossa estratégia é preparar hoje os produtores para as oportunidades comerciais de amanhã", afirma Luiz.

*Fonte:  Gabriela Cidade/Correio Braziliense, Estagiária sob a supervisão de Márcia Machado/ Correio Braziliense

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