Caio Bonfim conquista ouro e recorde sul-americano nos Jogos de Santa Fé
Brasiliense vence a meia maratona de marcha atlética em pista com 1h22m31s, supera dois equatorianos no pódio e celebra título 16 anos após conquistar medalha de bronze na edição de Medellín
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Alexandre Loureiro (@alexandreloureiroimagens)/COB
Caio Bonfim
voltou ao topo do pódio nos Jogos Sul-Americanos 16 anos depois da primeira
participação. Na manhã desta quarta-feira (23/9), o brasiliense conquistou a
medalha de ouro na meia maratona de marcha atlética em pista, em Santa Fé, na
Argentina, com o tempo de 1h22m31s. A marca garantiu também o novo recorde
sul-americano da prova, em uma disputa decidida nos últimos quilômetros.
O brasileiro
precisou superar uma disputa apertada com Alexander Hurtado. O equatoriano
terminou apenas sete segundos atrás, com 1h22m38s, enquanto o compatriota Jordy
Jiménez completou o pódio com 1h23m26s. Caio Bonfim chegou à parte decisiva da
prova em meio à briga pela liderança e conseguiu abrir vantagem nos metros
finais para confirmar mais um título internacional na temporada.
A conquista
teve um significado especial para o brasiliense. Em 2010, nos Jogos
Sul-Americanos de Medellín, Caio havia conquistado a medalha de bronze. Agora,
aos 35 anos, voltou à competição continental para buscar o ouro. “Um sonho
realizado no sul-americano. Meu primeiro jogo sul-americano foi em 2010, em
Medellín. Fui bronze. Quando deu 10 quilômetros, eu forcei assim, falei, hoje
eu vou levar meu ouro. Quebrei, terminei assim. Quase que eu não passo a linha
de chegada”, relembrou, em entrevista ao Time Brasil.
O desfecho
em Santa Fé também representa mais um capítulo de uma temporada de alto nível.
Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 e campeão mundial dos 20
km em Tóquio-2025, Caio Bonfim já havia conquistado bronze na meia maratona do
Mundial de Marcha Atlética por Equipes, disputado em Brasília, em abril. Na
ocasião, completou os 21,097 km em 1m27s36. O brasiliense também teve bom
desempenho no Troféu Brasil de Atletismo e e quebrou os recordes brasileiro e
sul-americano da maratona com o tempo de 2h31m09s.
Em Santa Fé,
porém, a prova ganhou outro peso pela marca alcançada. “Dezesseis anos depois,
poder vir aqui, trazer esse ouro, é muito legal. Me emociono porque minha prova
é muito treino, muito treino. Não tem como eu vir aqui com o nome, sei lá com o
quê. Pra competir e fazer 53 voltas aqui nessa temperatura, com esse nível de
atletas. Medalhistas em mundiais, Jogos Panamericanos, alto nível”, pontuou.
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Alexandre Loureiro (@alexandreloureiroimagens)/COB
O percurso
em pista exigiu 53 voltas, cenário pouco comum para uma prova de longa
distância e ainda mais desafiador diante das condições climáticas encontradas
na manhã argentina. O brasiliense sustentou o ritmo durante a disputa e
terminou com dois minutos de vantagem sobre o recorde brasileiro da prova em
pista, registrado pelo próprio atleta em julho, no Troféu Brasil, com 1h24m31s.
O resultado
também refletiu o trabalho desenvolvido ao longo dos anos ao lado da família e
da equipe técnica. Caio Bonfim treina em Sobradinho, no Centro de Atletismo de
Sobradinho (CASO), sob orientação da mãe, Gianetti Sena Bonfim, e do pai, João
Evangelista de Sena Bonfim. A estrutura familiar acompanha a trajetória do
marchador desde o início da carreira e esteve novamente presente na preparação
para Santa Fé.
“Então eu tô
muito orgulhoso assim do trabalho que a gente fez. Queria agradecer todos que
me ajudaram nessa caminhada. Eu não vou citar nomes aqui porque tô cansado. Mas
tem dois nomes que eu não posso deixar de mencionar. Os dois são meus pais,
meus treinadores, que acreditaram, trabalharam. A gente tem feito um trabalho
incrível com essa galera dos bastidores”, vibrou Caio.
O campeão
também fez questão de dividir a conquista com a família e com os profissionais
envolvidos na preparação. A rotina inclui fisioterapia, recuperação muscular,
acompanhamento nutricional, bioquímica e toda a estrutura oferecida pelo Time
Brasil. “Minha esposa também, que está ali segurando a onda com três meninas,
que tem muita energia. Então, obrigado, obrigado ao time Brasil, toda a
parceria, os detalhes que a gente sempre fala tanto, chegar aqui com a
estrutura que a gente tem, fisioterapia, mastoterapia, pessoal da bioquímica, a
gente faz um gelo, faz uma soltura detalhada ali na parte nutricional também,
todo mundo nos ajudando, toda a parte técnica de logística”, ressaltou.
A conquista
em Santa Fé ainda tem uma consequência para o ciclo continental. O atletismo
integra o programa dos Jogos Sul-Americanos como uma das modalidades
classificatórias para o Pan-Americano de Lima-2027, e a CBAt havia definido os
campeões das provas individuais como classificados para os Jogos
Pan-Americanos.
Depois de
cruzar a linha de chegada em primeiro, Caio encerrou a celebração lembrando a
dimensão coletiva do resultado. “Isso tudo favorece para que a gente chegue
aqui e pode fazer um, dois, três segundos a mais por volta e ganhar esse
resultado. Então, eu estou muito feliz de fazer parte daqueles que estão
conquistando medalha para o time Brasil e o ouro que a gente gosta tanto”,
ressaltou.
Para o
brasiliense, o ouro em Santa Fé soma mais uma conquista a uma trajetória já
marcada por resultados inéditos para a marcha atlética brasileira. Depois da
prata olímpica em Paris-2024 e do título mundial em Tóquio-2025, Caio agora
acrescenta ao currículo um título sul-americano acompanhado de recorde
continental e com um significado especial: 16 anos depois do primeiro pódio
dele na competição.


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